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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Brasil: anos 90, a salada sonora, o advento do CD e da Internet

     
       Na década de 1990, o mundo presenciou uma nova etapa evolutiva na gravação e reprodução de áudio com a chegada do compact disc (CD). Os direitos autorais em música perderam mais ainda as estribeiras, além de acabar vorazmente com o monopólio elitista de todas as gravadores de Long Plays (bolachões de vinil). De lá para cá o que temos visto é um degringolar sem precedentes, pirataria, desrespeito por autoria, regravações e adaptações ao bel-prazer de tudo quanto é aventureiro e mercenário infiltrado no meio. A internet, essa caixa de Pandora, continua cada dia mais e mais liberal, aceitando e reproduzindo tudo o que dá na telha dos amantes do lucro, da vaidade e do desmedido prazer de adulterar. Sei que ela é democrática, e isso é o lado bom do dilema. O mundo já está mesmo mergulhado de vez no mar cibernético e se um dia sair desse virtual e sombrio mundo, será para entrar noutro derivado deste.  E com isso, será que a música popular ganha ou perde? Ganha, à medida que concede a cada anônimo artista expor sua criação, fazer seu vídeo, vender seu peixe, coisa que não acontecia antes, e perde o artista famoso que antes vendia seu disco e que agora tem que vender mesmo é o seu Show. A net dá acesso a todos os que desejam encher seu pen drives de tudo quanto é tipo de som do planeta, sem cobrar nada.
         Mas como a diversidade é o que importa, digo que os anos 90, formaram para mim a salada musical, simplesmente pela grande mistura, vejamos: despontou naquele cenário um forte caráter romântico nas vozes agudas de Chitãozinho e Xororó, e outras duplas como João Paulo e Daniel, e Leandro e Leonardo. No segmento Rap tivemos O Rappa, Planet Hemp, Racionais MCs, Pavilhão 9 e Gabriel, o Pensador. Já o Rock começou a misturar o caldo, a banda Raimundos, fundiu o Rock mais agressivo com Baião e o Repente como o maluco beleza Raul, já havia feito há quase duas décadas; A banda mineira Pato Fu, veio mostrando algo mais sensível em suas execuções; enquanto a banda Skank apelou para as repetidas batidas do Reggae. No campo da MPB, o violonista João Bosco trilhou vários caminhos rítmicos exibindo um ecletismo sem precedentes e pode-se dizer que, assim como o Gonzaguinha, transcendeu os limites da temática da MPB, compondo canções declaradamente engajadas.
      Ouvia-se de Adriana Calcanhoto, a Beto Barbosa: de Daniela Mercury, a Raça Negra, de Os Paralamas do sucesso a Gabriel O Pensador, com a sua Lôra Burra.


Agamenon violeir
Publicado no Recanto das Letras
Enviado por Agamenon violeiro em 09/12/2016
Código do texto: T5848319
Classificação de conteúdo: seguro

quarta-feira, 15 de maio de 2013

NEVASCA EM SERTÃO (RS) EM 1965 !

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O pior ainda pode estar por vir. No inverno de 1965, o jovem de 23 anos Jones Emerin dirigia um jipe na escorregadia e pedregosa estrada que ligava Sertão a Passo Fundo. Ele trabalhava para a firma Rüdinger, que abastecia as igrejas do Interior com artigos e publicações religiosas. Passado um pouco das 19h, sob uma chuvinha fina, que mais parecia gotas de gelo em suspensão, Jones encontrou um Fusca enguiçado na estrada. Roberto Helmut, um inspetor da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP) em viagem pelo Estado, pediu ajuda. Jones conseguiu uma corda e rebocou o Fusca de volta a Sertão.




 Carlos, Helmut, Jones e os carros cobertos de neve.
O frio apertou. Refugiados no hotel Antoniolli, eles resolveram ficar ali aquela noite.
 Na manhã seguinte, a surpresa: lá fora tudo estava sob uma grossa camada da neve que continuava caindo.  A nevasca durou todo o dia seguinte. Mesmo sob mau tempo, eles resolveram seguir viagem. Helmut iria de carona no jipe até Passo Fundo, em busca da peça para consertar  o Fusca. 
Mais um caroneiro, Carlos, se incorporou à trupe, que erroneamente deixou Sertão à tardinha.
 Eles enfrentaram a neve da estrada até a meia-noite, quando ficaram no meio do caminho, sem gasolina. Jones e Carlos, em busca de ajuda, se enterravam na neve.
 Passaram a noite num galpão cedido, depois de afugentar cães alvejando-os com bolas de neve. Secaram as roupas numa improvisada fogueira. Quando amanheceu, ganharam café, que levaram também para o companheiro que havia ficado no jipe e estava quase morto de frio. Depois, foram resgatados pelo padre Paulo Farina, que viajava em outro veículo.
Os outros, não sei, mas Jones, agora aos 70 anos, confessa que tem bronca de neve. Se puder, evita. O que começou com alegria e brincadeiras acabou muito sem graça. Xô, inverno!
        


  Belas imagens!

                                Imagens de arquivo- /Ermiro Dalbosco-fotógrafo da época em Sertão (RS)
                                Publicação de Zero Hora, de 23/07/2012


Complementando nesta data : 23/03/2017, com imagem cartográfica, enviada pelo amigo italiano, a localização de Sertão (RS).


Sertão - RS