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terça-feira, 29 de abril de 2014

Lembranças....

Existem lembranças que são fontes perenes de amor. Recordá-las é como caminhar descalço na areia da praia num começo de manhã de céu azul, a brisa do mar misturada aos raios do sol, aquele ventinho morno que se derrama na pele com gentileza rara. Recordá-las é um cafuné gostoso que a vida reinventa. Quando estamos tristes, cansados, aborrecidos, também podemos ir até lá, onde essas lembranças moram… É um jeito afetivo de renovar a energia no momento presente.
Ana Jácomo

Imagem captada na web

domingo, 27 de abril de 2014

A vida não pára ...


Mesmo quando tudo pede
um pouco mais de calma
ou até quando o corpo pede
um pouco mais de alma...
a vida não pára...
E é possível que entretanto
Nós e os nossos pensamentos
procurem-se e encontrem-se
sorriam bonito um para o outro
abraçando-se demoradamente
hoje - amanhã - e depois...
E será esta, - não outra vida
a que nos transfere o fim
para um pouco mais tarde...

Sim, - a vida não pára...
- José -

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Ainda haverá tempo...

Não digamos "não", nem "nunca mais"...
não digamos "sempre" ou "jamais"...
digamos, simplesmente: "ainda"!...
Ainda nos veremos um dia...
Ainda nos encontraremos na estrada da vida......
Ainda encontraremos a pousada,
o afeto almejado, a guarida...
Ainda haverá tempo de amar,
sem medo, totalmente... infinitamente...
sem ter medo de pedir, de implorar, ou chorar...
Ainda haverá tempo,
para ser feliz novamente...
Ainda haverá tristeza,
ainda haverá saudade,
ainda haverá primavera,
o sonho, a quimera...
Ainda haverá alegria,
apesar das cicatrizes...
Ainda haverá esperança,
porque a vida ainda é criança...
e amanhã será outro dia!
- Carlos Saad -

 

sábado, 12 de abril de 2014

AQUELA NOITE NA PRAIA ...


Caía uma chuvinha fina
cujo pingar no telhado
nem dava para escutar
...
O que se ouvia, ao longe,
ressoar incessantemente,
era o ruído do mar.
Beijávamos demoradamente
ouvindo a trilha sonora
repetida nos instantes
E no andar de cada hora
pela noite afora
Éramos intensos amantes...
A chuva fininha continuava
a escorrer pelo telhado
abafada pelo barulho do mar
E dos nossos corpos quentes
exalavam cheiros ardentes
que nos convidavam a amar!
Rui E L Tavares
                              Imagem captada na web

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Minha Namorada.


 Amor,
esta palavra acende uma lua no peito,
e tudo se transforma
em paixão.
Em chamas meu coração arde
perdido nas entranhas
de êxtase, ...
vivo, extremo,
e verdadeiro
com vontade de abraçá-la com ímpeto
ouvindo a doce música que encanta.
Oh! Minha querida namorada,
o mundo é uma fantasia,
mas meu amor ficará gravado
na luz que ilumina teus olhos
como um ritual de corpos magnetizados
querendo sentir todos
os sonhos
envoltos em silhuetas
de profundo prazer.
Eu te amo!

Paulo Avila
Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T1640152
                         Imagem captada na web
 

Dia do POETA.

domingo, 6 de abril de 2014

Curto saudades...

Curto invernos e outonos. Chuva e neve.
Sou da montanha, muito mais que o mar.
Curto saudades e outras coisas que me deixam quieto.
Livros...
Musica romântica, luz de vela. Mais que dois é multidão.
Tristeza?
Quase. Sou vizinho dela.

Marcio Leite


FUGA...


Por mais que fujamos,
chega um tempo em que
a realidade ...
nos esbofeteia.
Então acordamos
quase afogados
num mar de utopias...

Rui E L Tavares
-06Abril2014-

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Um novo florescer ...

Em cada peito renasce
uma esperança numa incerteza
como uma árvore que nasce
para dar sombra à uma tristeza.
...
Em cada ramo que envelhece
se vai uma vida pra não mais vir
como um sorriso que aparece
numa nova árvore a florir.
Em cada galho que apodrece
uma incerteza de um novo dia
ou uma alegria que já padece
ao ver o seu fruto sem companhia.
Olhe um pouco a sua sombra
e tente sentir o que seria a vida sem você
você vive e não se assombra
existe uma fé, um novo florescer.
Em cada sombra um sinal de vida
em cada pássaro, uma liberdade
numa folha seca uma esperança perdida
ou o plantar de uma saudade.
_________ Robson Ruas

Citaçao de Cora Coralina.

"Ando cansada de bagagens pesadas... Daqui para frente levo apenas o que couber no bolso e no coração".

Cora Coralina
 
 
Foto: "Ando cansada de bagagens pesadas... Daqui para frente levo apenas o que couber no bolso e no coração".

Cora Coralina
 
                               Fonte: M@krub ( texto e imagem)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

REENCONTRO .....

Abril, outono...
tempo nublado
entardecer nostálgico
mas aconchegante.
Folhas caindo,
rolando pelo chão ...
vejo o horizonte
e luzes ao longe ...
é o crepúsculo 
o anoitecer que chega
hora de recolhimento
de agradecer ao Senhor
por mais esse dia que passou
pela paz que reencontrei
pelo reencontro comigo mesma
deixando para trás as lembranças
que me deixaram marcas na alma,
que me entravavam o caminhar
Agora mais leve, vivo o dia a dia
com renovadas energias
que o viver só me proporcionou
muito lutei, mas venci
e sobrevivi, pronta para recomeçar!

                                  _luiza_, 02/04/2014.
                                    Imagem captada na web
 

terça-feira, 1 de abril de 2014

A NOITE VEIO ASSIM...


A noite chegou,
veio aos poucos,
sem estrelas,...
sem Lua,
vestida de solidão.
Trouxe um cheiro
de saudade
e uma garoa
que mais parece
lágrimas que
caem do céu...
A noite veio assim,
triste como eu!

Rui E L Tavares
-01Abril20l4-
                      Imagem captada no Google

domingo, 30 de março de 2014

Crônica da violência.


Se o Estado brasileiro ocupasse convenientemente os rincões esquecidos nas periferias, com assistência e educação, não haveria espaço para o crime organizado e a droga não seria a única oportunidade de trabalho e ganho para muitos jovens. Tampouco tantas vidas seriam atiradas no valão da inoperância política. A equação droga/vadiagem/violência não seria o descalabro que é hoje, e certamente não se resolveria de maneira a deixar rastros de sangue. A população dos morros e favelas silencia, é conivente, por medo e porque desenvolveu uma mórbida associação com o tráfico. Foi preciso conviver com ele, já que estava tão próximo e era um inimigo imbatível. A necessidade criou um comensalismo patológico que hoje rouba a cena nos jornais. O Estado, furtando-se à tarefa que deveria realizar, educando, conscientizando, utilizando obras sociais, lança mão de armas e caveirões, lança-chamas e o que mais servir para intimidar. Quer assim ganhar aplausos da população. E a dignidade das famílias que não têm outra opção senão morar nesses guetos? Mirando a paisagem social do Brasil de hoje, sou forçado ainda a concordar com a imagem que Gilberto Freire traçou da sociedade brasileira. A Casa Grande localiza-se à margem de belas praias enquanto a Senzala invade morros e vales. Imagina-se que, como em tempos coloniais, uma nada saiba da outra. A cortina entre esses dois mundos é tecida a balas de calibres diversos.
Marcio Leite

quinta-feira, 27 de março de 2014

Amar se aprende amando.


O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo ...
que à vida imprime cor, graça e sentido.

"Amor" - eu disse - e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim.
Carlos Drummond de Andrade


 

domingo, 23 de março de 2014

O amor não acaba ...

O amor não acaba, nós é que mudamos
Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?
O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidade...s, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.
Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.
O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.
Martha Medeiros

Reflexão .Tempo de paz!

É domingo...
O primeiro do outono..
Estou ainda no litoral.
O clima mudou,
friozinho pela manhã,
bom para dormir.
Fui caminhar na Avenida
Uma hora de caminhada
prezando pela saúde.
Refleti sobre a vida
seus encantos e desencantos.
As pedras no meio do caminho
que devagarinho removi
e os bons momentos vividos.
Agora é tempo de curtir
de reencontro com meu eu interior
de viver bem cada momento
e esquecer os desalentos
Tempo de paz, de sonhos,
tempo de refletir, de pensar
antes de qualquer ação
para acertar na decisão


                                  _luiza_, 23/03/2014
                                    Litoral de SCatarina.


PRECE


Senhor,
agora que a noite chega
e meu corpo pede descanso,...
venho falar contigo:
- É hora de agradecer
por tudo que me ajudastes
a conseguir em mais este
dia de vida;
Pela energia que senti
palpitar em mim em cada
ação que desenvolvi para
alcançar meus objetivos.
Obrigado Senhor,
por ter estado comigo.
Mesmo que eu não tenha
conseguido te ver, sempre
tive a certeza que estás
dentro do meu coração,
orientando cada passo
que dou pela vida...

Amém.
Rui E L Tavares
                 23/03/2014

 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Chegada do outono...



 O verde vai ficando pálido
e as folhas começam a cair;
o Sol vem mais tarde
e vai embora mais cedo.
...
A noite longa vem sem alarde
tecendo seu mágico enredo;
desenha sombras que parecem
velhos fantasmas de brinquedo...

O frio lambe o tempo e dilacera
a textura petalar das flores;
o Verão acena em despedida
e vai dormir um longo sono.

Surgem outras cores na vida
com matizes de recolhimento
anunciando a chegada do momento
de viver um novo Outono...

Rui E L Tavares

-19Março2014-

quinta-feira, 13 de março de 2014

A paga pelas invasões napoleônicas.

Humor!!!

 Estavam na China um português, um francês e um espanhol a beber na praça de Tian An Men.
Só que, na China, beber bebidas alcoólicas em público, é proibido.
Foram apanhados em flagrante, detidos e levados ao Mandarim para receberem a sentença....
O Mandarim deu uma bronca enorme e disse que cada um iria receber 20 chicotadas como castigo. Só que, como estavam em transição entre o ano do cão e o do rato, cada prisioneiro tinha direito a um pedido:
- francês, qual é o teu desejo, desde que seja não escapar ao castigo?
- Quero que amarrem um travesseiro nas minhas costas!
- Assim seja! E levou as chicotadas com o travesseiro nas costas. Lá pela décima chicotada o travesseiro cedeu e o francês levou as restantes 10. E se vermelho era por dentro, vermelho ficou por fora.
- Agora é a tua vez, espanhol! Qual é o teu desejo?
Que amarrem 2 travesseiros nas minhas costas! E assim foi. O espanhol levou as 20 chicotadas e a custo, os travesseiros lá resistiram, ficando a rir-se do francês!
Chegou então a vez do português.
- Ora, você é português! Foram vocês os primeiros europeus a chegarem à China! Como eu gosto muito de vocês, tem direito a 2 pedidos!
- Bem, eu queria levar 100 chicotadas…
- 100? Espantoso! Ainda por cima é corajoso! O pedido será realizado! E então, qual é o outro pedido?
- Amarrem um francês às minhas costas!
Ver mais
                                      Da página do Face do amigo Antônio A. Figueiredo

 

                     

quarta-feira, 12 de março de 2014

O tempo.

Lindo poema de nosso Escritor Gaúcho!
...
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


                                     Mario Quintana



 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Devaneios ...

Devaneios...

Vesti meu sorriso mais bonito
e prendi o cabelo com duas estrelas...

Não era hora de devaneios nem delírios...
mas o vento me chamava com promessas
de rendas e luares
sobre a areia molhada da chuva.

O silêncio das eras bailava nas folhagens
densas das palmeiras...e o ar da noite
seguia seu tépido esvoaçar de dedos azuis.

Terno era o murmúrio das ondas
entrecortadas pelo alvoroço das gaivotas.
E doce... muito doce ...era viver assim,
suspensa entre as estrelas e o profundo azul do mar...

£una

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Temporada de praia...

Fevereiro,  litoral de Santa Catarina. Após um mês de intenso calor, veio a chuva tão esperada, amenizando a temperatura, tornando as noites melhores para dormir.
Uma temporada de praia com há muito não acontecia. Mar limpo, águas cálidas, céu azul, sol escaldante. Corpo e mente descansados. Paz e tranquilidade. Família presente quando pode, outros sozinha.  Tenho que enfrentar a realidade e me acostumar a seguir meu caminho consciente de que a vida é assim. Chega uma altura da vida, um fica só, assumindo o compromisso que antes era dos dois. Há dois anos perdi meu companheiro de jornada, o que mudou o rumo de minha vida. Filhos, mesmo adultos, exigem participação e presença. Por outro lado, preciso também da presença deles, para não sentir-me muito só e não deixar a angústia e a melancolia tomar conta , tornar a vida sem sentido.  Gosto de ler e escrever. Isso me descontrai e impede que  minha memória  e minhas habilidades se percam com o passar do tempo. Os anos passam mas a vida continua, que essa seja com qualidade.
Hoje agradeço a Deus, a oportunidade que ele me deu, de vencer trechos pesados, ameaças que tive com a saúde, preocupações financeiras, traumas enfrentados, doença do marido, perda de entes queridos. Tudo é lição para enfrentarmos o futuro com mais sabedoria e segurança.
Hoje, aposentada, posso usufruir de temporada na praia, sem as preocupações de outrora,  posso relaxar, ter momentos para mim, praticar exercícios, pensar na saúde.  Esse ano será melhor e pretendo conhecer as belezas do Brasil e quem sabe, até uma pequena viagem ao exterior. Viver em paz e tranquilidade e pedir a Deus saúde para a família .
                                                       Luiza, aos 15 de fevereiro de 2014.
                                                            

domingo, 5 de janeiro de 2014

Não tenhas medo, ouve...


UM POEMA

 Não tenhas medo, ouve:
 É um poema
 Um misto de oração e de feitiço...
 Sem qualquer compromisso,
 Ouve-o atentamente,
 De coração lavado.
 Poderás decorá-lo
 E rezá-lo
 Ao deitar
 Ao levantar,
 Ou nas restantes horas de tristeza.
 Na segura certeza
 De que mal não te faz.
 E pode acontecer que te dê paz... 

 Miguel Torga


sábado, 4 de janeiro de 2014

Clariceando.....

Estremeço de prazer por entre a novidade de usar palavras que formam intenso matagal. Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido utilitário: sou sozinha, eu e minha liberdade.
É tamanha a liberdade que pode escandalizar um primitivo, mas sei que não te escandalizas com a plenitude que consigo e que é sem fronteiras perceptíveis.
Esta minha capacidade de viver o que é redondo e amplo - cerco-me por plantas carnívoras e animais legendários, tudo banhado pela tosca e esquerda luz de um sexo mítico.
Vou adiante de modo intuitivo e sem procurar uma idéia: sou orgânica. E não me indago sobre os meus motivos. Mergulho na quase dor de uma intensa alegria – e para me enfeitar nascem entre os meus cabelos folhas e ramagens.
Clarice Lispector

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Novo ano, vida nova...

E 2014 chegou..
Começando com renovadas energias!
Que seja um ano de muita paz, saúde e alegrias!
Que nossos sonhos se realizem...
Que haja paz e união entre os povos, entre as nações.
Que o perdão e o amor se faça presente em todos os lares
Que fique no passado a falta de harmonia e os conflitos
E que nesse,  usemos de muita sabedoria
de muito entendimento e diplomacia...
no lar, no trabalho, nos poderes constituídos
Que Deus esteja presente em todos os momentos
e nós, num gesto de amor e gratidão pela vida, 
pela família, pelo trabalho, pelo alimento
dispensemos uns minutos por dia e numa prece silenciosa, 
agradecendo e pedindo que nos abençoe
em todos os dias e noites desse ano que inicia...
                                             
                                                  Luiza, aos 03 de janeiro de 2014


No ano passado ...



Já repararam como é bom dizer "o ano passado"? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado.
Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.
Mario Quintana




sábado, 28 de dezembro de 2013

Ouvir Estrelas...


Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto...
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? "

E eu vos direi:
"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas

Olavo Bilac


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

DEGRAUS DO TEMPO ...

Bela poesia marcando a virada de ano, do Poeta, amigo de Facebook.

DEGRAUS DO TEMPO...

2013,
quem diria,
já estás indo embora...
Eu lembro quando tu chegou,
esperado,
ovacionado,
festejado
e recém começavas a existir.
Bastou que se formasse
a tua primeira célula temporal
para que estourassem fogos
em tua homenagem.
Isso é o que eu chamo
de já nascer famoso...
E agora que te vais
para nunca mais voltar,
o que será que dirão de ti?
Lembrarão?
Agradecerão por algum
pedido que atendestes?
Ou será que fostes um ano
sem brilho,
sem história,
que passou simplesmente
porque tinha que passar...
Sei lá,
o que na realidade eu sei
é que estive contigo,
exatamente pelo tempo
da tua passagem;
sei também,
que levas de mim um pedaço,
como tantos outros já levaram
para a eternidade.
Em troca,
te somas a mim
como mais 365 degraus
que subi na escada da evolução.
Vai com Deus velho ano...
Quando cruzares
com esse menino que se forma
e chega na carruagem do tempo,
se der tempo,
recomenda-lhe paz e amor
e que não se iluda,
com os fogos que pipocarão
na sua chegada.
Diga-lhe que olhe para a humanidade
como um todo
e tente recolocá-la
no caminho para Deus.
Adeus Ano Velho!
Bem vindo Ano Novo!
Deus queira que eu possa
falar bem de ti 2014,
ao fim dos teus
outros tantos degraus...!

(Poema de 2011, adaptado para 2013)

Rui E L Tavares

Dezembro 2013



sábado, 21 de dezembro de 2013

CRÔNICA DE NATAL: " O BOM DE SER CRIANÇA"


Acordo cedo e saio a caminhar pela casa. Entro na sala de estar, que ainda tem os destroços da festa. Papel de embrulho descartado, restos da algazarra que fizemos abrindo os presentes na noite anterior. Os cheiros da festa também ainda estão no ar. Bebida, peru assado.

Lembro que os presentes também tinham cheiro. Bola de futebol nova, por exemplo. As bolas eram de couro mesmo, com a cor natural e o cheiro do couro, e com cadarço. Você não sabia se já saía chutando a bola ou se guardava aquela preciosidade à salvo de chutes e arranhões, só para cheirar.
Lembro que no mesmo Natal em que ganhei minha primeira bola de tamanho oficial ganhei outro presente: um kit com uma estrela de xerife, um revólver, um cinturão de caubói com coldre e um cilindro cheio de fitas de espoletas. Colocava-se uma fita de espoletas no revólver e acionava-se o gatilho, fazendo estourar as espoletas. Outro cheiro inesquecível do Natal, o de espoleta recém-deflagrada. Sem saber escolher entre um presente e outro, eu afivelei o cinturão (com babados no coldre) em torno do corpo franzino e saí abraçado com a bola e dando tiros, iniciando uma carreira inédita de jogador de futebol caubói, até a mãe ordenarque parasse porque ninguém conseguia conversar na sala. E foi nesse Natal que conheci o Papai Noel.
Tinham anunciado que naquele ano receberíamos o Papai Noel em casa.

Ele não deixaria apenas os nossos presentes, misteriosamente, como das outras vezes. Apareceria. Em pessoa! E à noite lá estava o Papai Noel batendo na nossa porta, e sendo recebido por mim, minha irmã, um primo e várias crianças da vizinhança, todos de boca aberta. Era ele mesmo, não havia dúvida. A roupa vermelha grossa, o gorro, a barba branca, as bochechas rosadas e o saco.

O maravilhoso saco, de dentro do qual tirou nossos presentes - a bola de futebol, o revólver de espoleta, como ele sabia que era o que eu queria? Depois deu tapinhas na cabeça de cada um, disse qualquer coisa e desapareceu. Mais tarde entrei na cozinha e dei com o Papai Noel sentado, conversando com a cozinheira e tomando uma cerveja. Tinha tirado a máscara. Reconheci a sua cara suada: era o Bataclan, uma figura folclórica de Porto Alegre, um negro que fazia propaganda - "reclame", chamava-se então - na rua. Não lembro como eu racionalizei a revelação. Se deixei de acreditar no Papai Noel ali mesmo, se passei a acreditar que o Papai Noel, quando não estava em serviço, era o Bataclan, e vice-versa. Talvez não tenha concluído nada. O bom de ser criança é que a gente não precisa racionalizar.
Luiz Fernando Veríssimo.

 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Tempo pra pensar na vida...

Hoje o dia está tão lindo!
 Chove muito, venta bastante, o céu está preto, parece que as nuvens vão desabar na minha cabeça!
 Não posso sair de casa, pois nem o guarda chuva evitaria que me molhasse!
 Dizem que o final de semana vai ser todo assim!
 Nada de praia, nem passeio no parque!
 Mas ainda assim, o dia está tão lindo!
 Tão bom poder olhar pela janela e ver a agua correndo pela calçada...
 Melhor ainda é ficar protegida na minha cama quentinha, Clariceando e ouvindo o barulho da chuva batendo na janela...
 Ter tempo pra pensar na vida, e força pra ver os dias passando e o sol reaparecendo!
 Ter as melhores lembranças do passado, e boas perspectivas pro futuro!
 E o presente? Como o próprio nome ja diz, um presente que Deus me permite viver da maneira mais linda e o mais importante, em paz!
 Colocar as decepções e as alegrias na balança e ver que as coisas boas pesam mais...
 Ter motivos pra sorrir e não fazer ninguém chorar!!
 Sem dúvidas o dia está lindo! E será lindo enquanto eu quiser que seja, porque a beleza dos dias está nos olhos de quem os vê, e a doçura dos momentos está no coração de quem os vive!
 Decidi que meus dias serão todos lindos daqui pra frente e se por acaso eu não tiver força para vê-los assim em algum momento, vou pro quente da minha cama esperar os minutos passarem, e dormir no sossego da certeza de que tudo sempre melhora, os maus momentos passam rápido e alimentando os bons pensamentos a felicidade será consequência...
Karla Tabalipa


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Quis tanto ser tua paz...

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que eu tinha, era seu. "
 Caio Fernando Abreu

domingo, 1 de dezembro de 2013

Dezembro chegou...

Suponha que um anjo bata à sua porta. Não se espante: é final de ano e tradicionalmente, como os balões de junho, esta data é propícia ao aparecimento de anjos. Para evitar constrangimentos ou diálogos inúteis, você está sozinho em casa. Então o anjo bate, depois você larga o que estiver fazendo, abre a porta e convida-o para entrar e sentar, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como a coisa mais natural do mundo, quando chega visita, também porque faz calor, e ainda ou principalmente porque algo em você sempre soube que deve-se ser gentil com anjos, você pergunta se ele gostaria de beber alguma coisa. Evite fazer isso: afinal, o que um anjo bebe? Café parece inadequado, quente demais para chá, difícil imaginar refrigerante ou cerveja, uísque ainda mais, suco de frutas talvez? Não ofereça nada, sequer faça qualquer comentário sobre o tempo ou aquelas perguntas para forçar intimidades tipo então, como vaio Gabriel? Não, não pergunte nada. Pense apenas que, se um anjo bateu exatamente à sua porta nesta época do ano, e se tão exato entrou e sentou à sua frente, ninguém melhor do que ele saberá, com exatidão, o que fazer. Então espere. Não fique tentando descobrir se seria arcanjo, querubim ou serafim, nem se barroco, gótico ou medieval. Também tente serenizar a memória que certamente vai disparar feito computador, enumerando todas as imagens angélicas arquivadas desde a infância, ou até antes. Controle a tentação de achá-lo a cara daquele anjo da guarda com as mãos estendidas sobre as crianças à beira do abismo; afugente o anjo patético de García Márquez caído num galinheiro; esqueça o anjo cego Pygar carregando Barbarela pelos céus: um anjo é todos os anjos, sobretudo em dezembro. Concentre-se neste, pousado à sua frente. Suponha que você está sentado imóvel e calado à frente de um anjo em sua própria casa, numa manhã ou tarde ou noite deste dezembro. Isso dura algum tempo, parado feito um fotograma. E atenção: estou certo que só depois que o anjo perceber que você parou de corpo e mente, e portanto abriu-se para ele, aceitando-o sem ohs!, é que vai começar a falar. Não uma voz de som, compreenda, mas uma voz dentro de você mesmo, muito clara, embora de certa forma abstrata, porque não-sonora. Com essa voz e nesse momento, o anjo vai dizer a você que pode pedir qualquer coisa. Mas qualquer, qualquer mesmo?, você pergunta ávido. Calma, calma: chegamos ao ponto. Eu aviso porque sei que, quando o anjo falar, será muito fácil sua mente desenfrear-se desgovernada por carros, amores, apartamentos, viagens, iates e toda essa espécie de prazeres. Bastardos, bradará o anjo. Porque — atenção! — se você for pessoal, haverá em seguida um ruflar de asas, um clarão, e o anjo desaparecerá sem atender pedido algum, sem deixar nenhum sinal. É que, a grande revelação eu faço agora, os anjos deste dezembro não são pessoais. Concentrado e fervoroso, então, peça pelo País, por este onde estamos agora os três. Eu, você, o anjo. Que se banhe de luz, peça, e não só isso, peça abstrações como justiça, paz, dignidade, honestidade, e peça ainda o concreto de estradas, escolas, trabalho, comida. Feche os olhos, enumere tudo, com todos os detalhes. Não importa que demore muito, e certamente vai demorar: o País tem todos os defeitos do mundo. Mas os anjos, eles também têm todo o tempo do mundo. Agora abra os olhos. Suponha que você tenha terminado de ler este texto. Suponha que você não acredita em anjos. Suponha que você joga o jornal de lado aborrecido e assim nesse movimento de folhas voando, voa também entre elas uma pena pelo ar. Branca, leve, inconfundível. Que estranho, você pensa, parece de anjo. É neste momento que alguém bate à sua porta. Do livro: Pequenas Epifanias, de Caio Fernando Abreu



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Assim é nossa vida...

Nossa vida é uma sequência de dias de calmaria, outros de busca de soluções, outros de realizações, uns de indecisões sobre o caminho a ser tomado. Tenho que me acostumar que viver é isso mesmo, quando se pensa que está tudo tranquilo, lá vem algo para nos surpreender e precisamos tomar a melhor decisão. Tomei a minha, na realização de um exame médico, em que poderá ficar tudo resolvido, ou terá algo mais a ser feito. Já enfrentei algo assim, por duas vezes. A última em 2006, na embolização de um aneurisma cerebral não roto. Tudo ficou solucionado, com a ajuda de Deus e das mãos hábeis de um bom especialista. Foram dias, meses, anos de atenção, revisão, sustos, mas tudo passou.  Agora, surge um probleminha a nível de artérias. Farei um cateterismo semana que vem, para diagnóstico e ver se ficará resolvido ou terá algo mais a fazer. Tenho a certeza, de que meu Pai do Céu, mais uma vez me amparará e me permitirá que minha caminhada aqui, ainda não esteja concluída, preciso continuar porque estou só, meus filhos precisam de mim, agora sem o Pai, que partiu prematuramente. Registro essa angústia aqui, com a certeza de que estarei aqui relatando,  de que tudo não passou de erro numa cintilografia que o médico precisou de maiores esclarecimentos. Os caminhos da vida são surpreendentes. Mas a fé e a esperança não me abandonam jamais. Não tenho nada, quando olho para trás e vejo tantas pessoas sofrendo com doenças graves e incuráveis e isso que estou passando torna-se leve, apenas me causa um pouco de intranquilidade, mas vai passar logo.
                                                            Luiza, aos 28/11/2013



 

domingo, 24 de novembro de 2013

Aprendi ...

Aprendi que se aprende errando. Que crescer não significa fazer aniversário. Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem. Que trabalhar não significa só ganhar dinheiro. Que amigos a gente conquista mostrando o que somos. Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim. Que a maldade se esconde atrás de uma bela face. Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela. Que quando penso saber de tudo, ainda não aprendi nada. Que a natureza é a coisa mais bela na vida. Que amar significa se dar por inteiro.

sábado, 16 de novembro de 2013

Curtindo a jornada...

Voa tempo...
Surgem as lembranças
e junto a saudade..
dos caminhos
percorridos
suados e sofridos...
mas, realizados
com carinho e amor.
Nossa trajetória
guardada na memória
com tropeços e vitórias
nos fazem hoje 
ter a sensação
de ter cumprido
nossa missão.
Mas queremos
continuar a caminhada
curtindo a nova jornada
com muita felicidade!

                                      Luiza Menin Manfredi
                                      aos 16/11/2013



sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O tempo passa rápido...

Mais um final de semana chegando...
quando se vê é final de ano...
O tempo passa muito rápido!
Bom mesmo é continuar trabalhando...
assim não se vê o tempo passando
E eu pensativa, sonhando...

                    Luiza, em 08/11/2013
                    Sexta-feira, dia ensolarado!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

AQUELA NOITE NA PRAIA...


 Caía uma chuvinha fina
cujo pingar no telhado
nem dava para escutar...

O que se ouvia, ao longe,
ressoar incessantemente,
era o ruído do mar.

Beijávamos demoradamente
ouvindo a trilha sonora
repetida nos instantes

E no andar de cada hora
pela noite afora
Éramos intensos amantes...

A chuva fininha continuava
a escorrer pelo telhado
abafada pelo barulho do mar

E dos nossos corpos quentes
exalavam cheiros ardentes
que nos convidavam a amar!

Rui E L Tavares

-04Novembro2013-


AQUELA NOITE NA PRAIA...

Caía uma chuvinha fina
cujo pingar no telhado
nem dava para escutar

O que se ouvia, ao longe,
ressoar incessantemente,
era o ruído do mar.

Beijávamos demoradamente
ouvindo a trilha sonora
repetida nos instantes

E no andar de cada hora
pela noite afora
Éramos intensos amantes...

A chuva fininha continuava
a escorrer pelo telhado
abafada pelo barulho do mar

E dos nossos corpos quentes
exalavam cheiros ardentes
que nos convidavam a amar!

Rui E L Tavares

-04Novembro2013-
 


sábado, 26 de outubro de 2013

O HOMEM TROCADO.- Luís F Veríssimo.

Luis Fernando Veríssimo

Luis Fernando Veríssimo nasceu em 26 de setembro de 1936 em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É o escritor que mais vende livros no Brasil.

O trabalho do autor também é conhecido na TV, que adaptou para minissérie o livro Comédias da Vida Privada. O programa recebeu o prêmio da crítica como o melhor da TV brasileira.

Filho do escritor Érico Veríssimo e Mafalda Veríssimo. De 1943 a 45, Érico morou com a família nos Estados Unidos, onde lecionou na Universidade de Berkeley, na Califórnia.

Ao retornar ao Brasil, em 1956, começou a trabalhar na editora Globo de Porto Alegre, em 1962 transferiu-se para o Rio de Janeiro onde exerceu as atividades de tradutor e redator de publicações comerciais.

De volta a Porto Alegre em 1967, Luis Fernando começou a trabalhar como copydesk do jornal Zero Hora e como redator de publicidade.

Em pouco tempo já mantinha uma coluna diária, que o consagrou por seu estilo humorístico e uma série de cartuns e histórias em quadrinhos. O primeiro livro, \\\"O popular\\\", de crônicas e cartuns, foi publicado em 1973.

Atualmente, o autor escreve para os jornais Zero Hora, O Estado de São Paulo e O Globo. Criou personagens As Cobras, cujas tiras de quadrinhos são publicadas em diversos jornais.

Em 1995, o livro O Analista de Bagé, lançado em 81, chegou à centésima edição. Algumas de suas crônicas foram publicadas nos Estados Unidos e na França em coletâneas de autores brasileiros.

Crônica já publicada desse grande escritor:

O homem trocado

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de
recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...
E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca
de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de
orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos
redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou
com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não
soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não
fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na
universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês
passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram
felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas
que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico
dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma
simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?
                                                Luis Fernando Veríssimo