quinta-feira, 20 de junho de 2013

FALANDO DO AMOR ...


 O amor antigo vive de si mesmo, 
 não de cultivo alheio ou de sua presença.
 Nada exige ou pede. Nada espera, 
 mas do destino vão nega a sentença.

 O amor antigo tem raízes fundas, 
 feitas de sofrimento e de beleza,
 Por aquelas mergulha no infinito, 
 e por estas suplanta a natureza.

 Se em toda parte o tempo desmorona 
 aquilo que foi grande e deslumbrante, 
 o antigo amor, porém, nunca fenece 
 e a cada dia surge mais amante.

 Mais ardente, mas pobre de esperança. 
 Mais triste? Não.Ele venceu a dor, 
 e resplandece no canto obscuro, 
 tão mais velho quanto mais amor. 

 (Carlos Drummond de Andrade - Poeta, contista e cronista brasileiro) 
 (1.902/1.987)



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